quinta-feira, 13 de maio de 2010

Duas visões. Dois destinos.


Saí dois dias de São Luís e fiz uma viagem rápida a Teresina. Ao chegar lá, percebi logo de cara a diferença abissal que existe entre as duas capitais. Primeiro, a limpeza. Não há um único lugar, por mais humilde que seja, que esteja sujo, abandonado ou mal cuidado. As ruas são limpas, pavimentadas com asfalto de boa qualidade e as calçadas e canteiros centrais das avenidas largos, arborizados e preenchidos com bancos feitos com capricho, que abrigam a população, humanizando as vias. O motivo? Foi a primeira capital planejada do Brasil. Em São Luís, mesmo os bairros mais novos, foram crescendo de maneira atabalhoada, sob os olhos omissos do poder público.

Por falar em árvores, há vinte anos, os governos que se sucederam no Estado do Piauí, investiram no verde. Objeto de piadas em relação ao calor que fazia na cidade, houve uma larga campanha institucional e hoje a cidade verde, como é conhecida, anda com o ar modificado. Originalmente com clima tropical semi-úmido, aquele calor antes insuportável não existe mais. Pelo menos nestes dois dias. Fora que além de potencializar o ar com mais oxigênio e menos gás carbônico, a malha verde que se estende por toda cidade, torna o lugar agradável e bonito. De sua vegetação tradicional, também fazem parte as belas e decorativas carnaúbas, típicas do cerrado. Em nossa cidade, São Luís, árvores centenárias  foram derrubadas – um crime!- para dar lugar a jardins sem graça e sem função.

Ah, ia me esquecendo do trânsito, detalhe importante do abismo entre as duas capitais... Planejada para crescer de maneira organizada e com um rígido controle da ocupação dos espaços, apoiado maciçamente pela imprensa, o trânsito de Teresina, mesmo na hora do Rush, flui tranquilamente, sem dramas, sem stress. O segredo? Avenidas largas com três pistas cada uma, sinais de trânsito inteligentes – desses projetados por verdadeiros engenheiros de tráfego e não por um colarinho branco, sobrinho de alguém importante - e um eficiente sistema de sinalização. Mas não é só. Desde 1989 Teresina tem metrô. Pois é... Este é o motivo das avenidas e ruas não estarem abarrotadas de ônibus que incham as ruas e que emperram o trânsito. Em São Luís, o lobby dos empresários de ônibus que dominam o pedaço barra o progresso e, em conseqüência disso, sabota o conforto do cidadão, que utiliza uma frota velha e um trânsito caótico.

Excelência no trânsito, no meio ambiente e no visual, tudo feito sob medida para a população de pouco mais de 800 mil habitantes e os turistas, que visitam a cidade por motivos profissionais, focados no turismo de negócios. Sim... A despeito de estar localizada a 366 quilômetros do litoral – única capital do nordeste que não está na costa atlântica, Teresina tem um boa rede hoteleira e oferece diversão e arte para quem a visita. Também destaca-se como pólo de medicina e é a terceira capital mais segura do país, segundo o IPEA.

As diferenças são óbvias e, como disse no começo, abissais. São Luís tem praia, lagoa, rios dentro da cidade, mas seus governantes não se preocupam com os detalhes, aqueles que fazem toda diferença no dia-a-dia das pessoas e na imagem que os de fora levam daqui. Miopia estratégica, em se tratando de administração pública, pode ser um desastre. Para nós, cidadãos, bem entendido...

Foto: Ponte Estaiada, mais nova produção da engenharia piauiense.

2 comentários:

Duanny Jorge disse...

Quando se compara São Luís com as principais capitais do Brasil, podemos observar o quanto estamos atrasado. Isso também acontece quando olhamos para Jesus (autor e consumidor da nossa fé) percebemos o quanto somos pecadores e impuros.

Davi Araújo disse...

Realmente não sei nem o que dizer! As me encontro cansado de ver tal situação em um lugar (São Luís)que tem tudo para ser um paraíso! Ah, tudo não, não tem vontade das pessoas, nem as que administram nem as que simplesmente habitam! Será que há esperança de ao menos uma redução no descaso que nossa Atenas Maranhense, patrimônio da humanidade. Atenas de bibliotecas fechadas e sucateadas, patrimônio arquitetônico de ruínas e sobrados? Não, restos de prédios.

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