sexta-feira, 13 de abril de 2012


Não sei quando começou exatamente esta febre das mulheres por usar bolsas enormes e espalhafatosas. É certo que elas, as mulheres, sempre tiveram a má fama de carregar muita coisa e de que bolsa de mulher é um saco sem fundo, de onde pode sair qualquer coisa inusitada. Contudo, comecei observar na moda, um movimento estranho. Um dia saí de casa decidia a comprar uma sandália e mais alguma coisa caso encontrasse do meu gosto. Qual foi minha surpresa, quando em frente às belíssimas vitrines das lojas de sapatos, me deparei com algo estapafúrdio. Sei que a palavra é forte, mas não vejo outra alternativa no dicionário para descrever o que vi.  Parecia um espetáculo dos horrores, para não dizer que me senti entrando no closet de uma drag queem (sem nenhum demérito, claro!).
As sandálias eram enormes! Altíssimas, brilhosíssimas, espalhafatosíssimas (se o Aurélio me permite o triplo superlativo!). Fiquei meio chocada com a quantidade de tachas, correias e dourados e, sem comprar nada, saí da loja pensativa. Que moda era aquela? O que estava acontecendo à minha volta que eu não havia notado? E, por que eu não conseguia me conectar àquilo? Comecei a andar pelo shopping e ver que o problema não era com a aquela loja, pois as outras exibiam artigos (roupas, inclusive) muito parecidos. Foi aí que percebi as mulheres à minha volta e observei algo terrível: as enormes, “ruidosas” e pesadas bolsas que elas carregavam.
 Somente no século XIX as bolsas aumentaram de tamanho, mas eram apenas as usadas como acessórios de mão para viagem. Ao longo do tempo, passando pela Belle Époque, início do século XX, década de 20 (marcada pelas carteiras), Art Nouveau, Art Decó, na década de 30 (época da crise financeira mundial), nas décadas de 40 e 50 do pós-guerra, que trouxe de volta o glamour com as atrizes de Hollywwod... Em todas estas épocas e com todas as transformações do mundo, as bolsas se mantiveram imprescindíveis e criativas, porém pequenas. Ainda na década de 60 com os movimentos psicodélicos e o pop art, ainda assim, as bolsas se mantiveram pequenas. Entretanto, nos anos 70, a explosão de estilos e a mudança de comportamento, forçou a bolsa a desempenhar um trabalho diferente. As pessoas passavam longos períodos fora de casa e precisavam carregar mais coisas, por isso, o advento das bolsas maiores, feitas de couro, lâ, crochê e multicoloridas, se fez necessário. 
Logo as mulheres estavam trabalhando fora, percorrendo longas distâncias do trabalho até em casa e precisavam de uma bolsa que armazenasse todas as suas necessidades, inclusive comida.